06/10/2009 - 22h47m

Helio Gracie

Uma filosofia a ser seguida.

matériaOscar DaniottifotosDivulgação

Um guerreiro; um filósofo; um adepto da boa alimentação; um pai de muito filhos e um lutador cheio de coragem. Assim podemos definir a pessoa que foi Hélio Gracie, que em seus 95 anos dedicou  a maior parte de sua vida, ao jiu-jitsu.

Hélio se tornou um herói para praticantes; lutadores; admiradores e ainda, certamente, vai ser herói para muitos outros que irão conhecer a verdadeira essência do jiu-jitsu. Hélio conseguiu mostrar, para o mundo, uma filosofia que engloba fatores muito importantes para uma boa prática deste, tão amado, esporte.

Como ele próprio costumava falar: “Os males entram pela boca e o lutador tem que estar preparado para lutar a qualquer hora.  Imagine lutar de barriga cheia?”.  Em apenas uma frase, conseguimos sintetizar a verdadeira filosofia do jiu-jitsu, difundida por Hélio e seu irmão Carlos Gracie.

Em minha primeira entrevista com Hélio Gracie, em 1997,  na sua casa em Itaipava, Rio de janeiro, Hélio foi direto: “Eu posso ser a melhor pessoa do mundo ou a pior”.   Após esta declaração, voltei na casa do mestre por mais dez vezes, apenas para  aprender  e admirar aquele que criou uma arte marcial que conquista o mundo por onde passa.

Conhecido por sua disciplina, Hélio, chefiava,  a famosa academia Gracie, da avenida Rio Branco, logo no começo do século, com punhos fortes e muita  autoridade. O professor comandava uma equipe de professores, que se revezavam durante todo o dia dando aulas particulares.  A rotina começava cedo: às 6h30 já havia aluno. Tal disciplina mostrava como funcionava a academia de  Hélio Gracie.

As regras eram seguidas à risca.  Praticamente tudo era impecável: kimonos limpos;  pontualidade e bons professores faziam com que o jiu-jitsu se destacasse cada vez mais. A alta sociedade carioca era um dos principais clientes da academia Gracie e as famosas  aulas particulares não paravam de crescer. Apenas à noite havia o treino dos lutadores e sempre com a supervisão do professor Hélio Gracie.

Em sua mais famosa luta, contra Waldemar Santana, Hélio Gracie mostrou, a todos que praticavam jiu-jitsu, que  honra era tudo, pois ao expulsar Waldemar, de sua academia, pelo motivo deste ter aceitado lutar contra um lutador conhecido por lutar “marmeladas”, ele deixou claro que um representante do jiu-jitsu, jamais poderia aceitar um confronto deste tipo.  Sendo assim, mesmo que a luta de Waldemar tenha sido real e ele tenha saído vencedor, Hélio não o perdoou.

Ao ser desafiado por Waldemar, Hélio, prontamente aceitou, mesmo com 17 anos de diferença e já aposentado, aos 45 anos. Waldemar, na época, tinha 25 anos e pesava 100 Kg.  Por outro lado,  Hélio Gracie com apenas  62 kg.  Após 3h45 de luta, o professor foi derrotado ao ser nocauteado com um chute. Mas o que prevaleceu foi a marca da sua filosofia e a garra de um verdadeiro lutador, que em nome de sua honra, fez do JJ, uma luta respeitada em todo o mundo.


Antes do seu falecimento, estive com o mestre em uma graduação no Iate Clube Jardim Guanabara, Rio de Janeiro.  Sempre muito bem humorado e solícito, Hélio pegou o microfone e declarou: “Eu, como um dos precursores e divulgadores do jiu-jitsu, me sinto muito honrado e felicíssimo por ter tantas pessoas, aqui, vestidas de kimono. Muitas pessoas boas e importantes neste mundo tão grande. Realmente, é com grande prazer que me dirijo, a todos vocês, para prestigiar e homenagear o jiu-jitsu. Muito obrigado a todos”.







Relson Gracie:




Tudo o que eu tenho eu devo ao jiu-jitsu e ao meu pai.  Ambos mudaram minha vida, pois ganhei novos horizontes, além de respeito da comunidade.  Muitas pessoas falam comigo que o jiu-jitsu que aprenderam, com meu pai, é algo maravilhoso. Tudo isso que veio dele, para todos os filhos, é uma coisa divina. É maravilhoso ter sido filho do Hélio Gracie. Isso é uma honra, para mim. Obrigado pai, você além de ser  um mito, sempre foi  um grande homem. Eu não teria palavras para lhe agradecer. Obrigado Pai!



 
Rafael Feijão:

O jiu-jitsu que o Hélio Gracie criou significou muita coisa na minha vida.  Desde que comecei a praticar jiu-jitsu o meu estilo de vida mudou: eu passei a ter mais disciplina e o mais incrível é que como no jiu-jitsu se faz amizades.  Eu tenho uma imensa gratidão pelo Hélio Gracie e admiração por ele ter posto o jiu-jitsu pra cima e ter sido o precursor deste esporte, no Brasil.

Carlos Eduardo, o “Mosquito”:

Falar do professor Hélio é algo que comove muito a qualquer um de nós que teve a honra de conhecê-lo de perto.  A ida do professor Hélio, para mim, teve o mesmo significado que perder um pai pela segunda vez.  O prof. Hélio não foi um pai, somente para mim, mas para toda a nação do jiu-jitsu. Ele será, eternamente, nosso imortal, nosso midas.  Daqui há 300 anos, vai ter alguém fazendo uma posição que foi ensinada por ele.


Jacaré:

O Hélio Gracie foi a pessoa que desenvolveu a arte e, sendo assim, ele vai estar sempre na nossa memória.  Eu sou muito feliz por ter existido o Hélio Gracie, pois se não fosse ele, hoje em dia, eu nem teria o meu emprego.  Feliz é o homem que vive 95 anos com uma vida plena e cheio de saúde.  Ele foi uma pessoa abençoada por Deus e ele mereceu todas as vitórias pois ele foi um grande guerreiro.

Silvio Behring:

O mestre Hélio Gracie sempre foi uma figura marcante em minha vida e isso foi passado, para mim, através do meu pai, que por sua vez, era uma pessoa que seguia rigidamente a dieta Gracie.  Meu pai sempre foi muito forte e sempre foi um grande atleta.  Eu ví poucos caras do tamanho do meu pai, durante muitas gerações.  Sempre que ele falava do mestre Hélio, ele se referia com muito orgulho e admiração.
Sua postura, sua forma de falar e lidar com as situações era bem direta e rígida.  Sempre interpretamos isso como se ele fosse um samurai e sempre admiramos esse lado oriental.  Eu assistia a todos os filmes japoneses e o Hélio Gracie tinha aquela sabedoria, só que falando em português.
A minha primeira luta, de faixa preta, o Hélio Gracie foi o árbitro.  Eu lutei mal, pois me inscrevi na categoria errada, mas no final da luta eu fui pras costas e dei uma queda e acabei ganhando, mas estava morto.  E no final, quando ele veio levantar meu braço, ele falou:  “fizeste uma porcaria de luta, hein Behring?” E depois, largou meu braço.
Mas, contudo, eu imagino que ele depositou muita expectativa em mim, especialmente pelo fato de eu ser filho do Flávio Behring.  Na verdade, o meu adversário era um cara muito duro e eu não estava tão preparado fisicamente.  E o que eu tirei de tudo isso é que mesmo eu tendo ganhado a luta, no finalzinho, não foi suficiente para que eu ganhasse, dele, uma aprovação.  Eu nunca me esqueci da forma com que ele falou comigo e aquele foi um momento de muita inspiração.
Eu nunca perdi mais nenhuma luta, de faixa preta, na minha vida.  Esse foi um momento marcante para mim.  O mestre Hélio deixou uma imagem do grande samurai e o homem que transformou o sistema de alavanca em uma coisa eficiente, com pouco gasto de força. 
Na minha academia, existe a foto dele na parede e nós fizemos, aqui, um luto em sua homenagem e não um luto de tristeza.

 

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