June 9, 2008
Entrevistas  
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Kyra, a mais famosa da familia Gracie.

por: Marucha Daniotti - foto: Oscar Daniotti.

"Comecei a treinar porque minha mãe treinava e ter um namorado que pratique jiu-jitsu é melhor porque ele vai entender e não vai ter ciúmes da dedicação aos treinos." (Kyra Gracie))

Linda, simpática, com personalidade e bom gosto. É assim que posso descrever a atleta Kyra Gracie que já experimentou cursar comunicação social, direito e administração, mas acabou optando pelo esporte que faz honras ao clã Gracie: o jiu-jitsu. Ao acabar seu treino, em uma academia na Barra da Tijuca, a atleta tomou um banho e concedeu uma entrevista para a equipe do jornal Faixa Preta.

Em seu currículo, consta lutas contra lutadoras de renome como Hanete, Leka, Letícia.
Atualmente, aos 21 anos, Kyra já fez várias conquistas profissionais e com
frequência é chamada para lutar e fazer seminários no exterior, especialmente nos Estados Unidos. No Japão, foi convidada , aos 19 anos, para ser entrevistada pela mais famosa emissora de TV , a FujiTV. "Em um programa de auditório, no final, pediram que eu fizesse uma demonstração e me colocaram contra um judoca japonês que me aplicou um batistaca.

Fiquei com muita raiva, pois uma simples demonstração acabou virando uma luta. Eu nem cheguei a me aquecer, nem nada. Só sei que fiquei machucada vários dias."
Kyra tem três irmãos, sendo que uma delas, a Rayra, de 15 anos, filha do ator e faixa preta de jiu-jitsu, Maurício Mattar, está treinando em São Francisco; é filha da Flávia Gracie, também praticante do esporte e de Pedro Mattos, que foi campeão mundial de vôo livre e também praticou jiu-jitsu até a faixa azul. Seus pais são separados e ela reside em uma casa, no Recreio, com 12 parentes, incluindo sua mãe, avó, duas tias, primos e duas empregadas.

Perguntei a ela se ela não teria vontade de morar sozinha, uma vez que ela já tem sua independência financeira, a resposta foi incisiva: " Odeio morar sozinha. Quando fui para Nova York, treinar com o Renzo, tive essa experiência e não gostei pois sentí muita falta de ter gente para conversar, ainda mais que estou acostumada com isso."
Em sua casa, tem um tatame e ela aproveita para treinar dentro da própria família. "Minha mãe parou de treinar porque suas unhas e cabelos estavam quebrando, então eu dei um capacete, de water polo, pra ela continuar treinando comigo (risos!). Ela treina duro". Fora isso, tem os primos Kin, 18 anos, faixa azul; Kevin, de 15 anos e Charline, 16 anos. Ambos faixa branca.

Devido ao seu excelente jiu-jitsu, Kyra Gracie conquistou vários patrocínios e fez um trabalho específico para ganhar peso de um ano pra cá. Hoje, com 60 quilos e medindo um metro e sessenta e nove centímetros, ela ganhou dez kilos de pura massa muscular. Quando resolveu aumentar de peso, passou a usar suplementos e a comer de três em trés horas.

Conversa vai e conversa vem, perguntei à Kyra se quando ela viaja para lutar, ela tem tempo de passear para fazer um tour e para compras. Ela revelou que é um pouco consumista, principalmente em se tratando de roupas e tênis. " Nos Estados Unidos, costumo comprar em outlets, pois tudo é muito mais barato. Mas quando viajo para lutar, só luto. Em Tóquio, fiquei de 12h às 20h, sentada numa mesa, dando entrevistas e o pior é que as perguntas eram as mesmas. No final, não aguentava mais. Porém, quando viajo para seminários, eu passeio. No Japão, por exemplo, fui para a Disney.

Como não poderia deixar de ser, seus interesses estão sempre ligados ao jiu-jitsu. Em breve, Kyra pretende lançar sua própria grife fightwear, de moda feminina, e vender em seu site. "Pretendo lutar por mais dez anos, até 31, depois gostaria de constituir minha família e me dedicar a ela, mas sempre trabalhando com jiu-jitsu" , afirmou. Kyra tem como religião, o espiritismo e confessa que no dia anterior à luta, fica muito tensa e passa o dia trancada; concentrada; pensando no que vai fazer.

Kyra começou a praticar jiu-jitsu aos onze anos e o momento de consagração foi quando, aos 16, cismou (por sorte!) de querer ir ao Pan- Americano e pediu para que a mãe patrocinasse a viagem. "Ela comprou uma suada passagem para eu lutar e me colocaram contra a CJ Macue, que havia sido campeã mundial. Fiquei muito nervosa e pensava no sacrifício que a minha mãe fez para eu estar alí , pois fiquei realmente tensa. Mas acabei vencendo e ,nesse dia, peguei a faixa roxa. A preta, peguei há seis meses", concluiu a lutadora.
 


 

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