June 9, 2008
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Renato Babalu Veja como surgiu a vontade de Babalu se tornar um lutador profissional.

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Renato Babalu .

por: Marucha Daniotti - foto: Estudio Fabiano.

Ninguém tem dúvidas. Renato Babalu, que hoje aprende segredos do chão, na Gracie Barra, é um verdadeiro ídolo no mundo das artes marciais. Com um cartel invejável, ele só quer uma coisa na vida: quando morrer, que todo mundo lembre de seu nome e o associe a imagem de um cara sinistro. Modesto o rapaz!


Fã de filmes de artes marciais, especialmente “Operação Dragão” (Estados Unidos, 1973), Babalu (que apesar de estar no auge de sua forma, leva esse apelido porque era barrigudo como o chiclete bubaloo, declara que seu desejo de lutar foi despertado através do ator e lutador Bruce Lee, ícone do cinema oriental e posteriormente americano.
Sendo assim, quando Babalu foi, pela primeira vez, na academia Naja, sua intenção era procurar pela arte que aparecia nas telas, aquela que mexia com sua fantasia: o kung fu. No entanto, ao assistir taekwondo e boxe tailandês, escolheu a segunda opção.


Ex-aluno do Colégio Pedro II, Babalu, para fazer a vontade do pai, chegou a cursar alguns períodos de Educação Física, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, apesar de que seu desejo era estudar engenharia. Mas, a vontade de lutar acabou falando mais alto. Em 1986, ele teve seu primeiro contato com a luta, no boxe tailandês, e chegou a competir, pela primeira vez, ao 13 anos de idade. Ele foi, ainda, praticante de judô (até a faixa amarela) e um exímio nadador.


E para quem pensa que a vida dele foi moleza, ledo engano. Aos dezesseis anos, Renato começou a ficar saturado de tanta cobrança, na luta, e passou a diminuir seu ritmo nos treinos. Quando completou dezoito, o atleta entrou em uma tropa voluntária, no quartel, e dali pôde tirar grandes lições de vida: “para ser feliz no quartel, não dá para contestar as ordens. Na minha opinião, todas as pessoas, no Brasil, deveriam passar pelo quartel, inclusive as mulheres porque é um grande aprendizado. Um filho de deputado, por exemplo, nunca vai servir o exército, mas acredito que todo ser humano precisa de limites para ser feliz”, afirmou.


Em sua memória, o lutador guarda lembranças e uma delas é que a única vez em que chorou foi quando ele estava no mato havia quatro dias, faminto, depois de muito apanhar. De repente, apareceu um cabo e encheu sua vasilha de farinha, com um único caroço de feijão e uma galinha estragada. Neste momento, ele começou a chorar e em sua cabeça se passou um filme de sua vida: saudades de casa e muita reflexão sobre o que ele estaria fazendo naquele lugar e ainda por vontade própria.


Mesmo assim, com toda dificuldade, Babalu não se arrepende de nada. “Se eu contar tudo o que passei, as pessoas podem até pensar que é mentira, que estou inventando. Mas, só quem passou por aquilo, sabe o quanto é rigoroso e ao mesmo tempo dolorido. Ainda assim, só tenho a agradecer porque o quartel foi o divisor de águas na minha vida. Se passei por tudo aquilo, sou capaz de enfrentar qualquer coisa no mundo. No exército, a disciplina é rigorosa, a pessoa paga pelo que faz”, declarou com muita convicção.


Segundo Babalu, para tornar-se um lutador profissional são muitas as exigências: é preciso chegar na hora para o treino; alimentar-se bem (ele é adepto da ortomolecular); ter muita disciplina e se possível fazer um trabalho psicológico, além de procurar sempre a perfeição nas coisas. Seu lema é o seguinte: “se você não for perfeito, tem alguém que será”. A questão é ter vontade de vencer. No esporte, não existe espaço para o segundo lugar. O primeiro é que faz a diferença. Quando se é o primeiro, as portas se abrem. Esporte é isso, luta também”.
Ele treina 24 horas por dia e para quem acha tal proeza impossível, ele insiste no fato de que se dedica à luta até na hora de relaxar. De que forma? O vídeo, para a parte tática e o rigor na dieta. “Se me der vontade de comer um presunto e um queijo amarelo, não posso, tem que ser pão com ricota, e por aí vai”.


Toda sua rotina inclui, ainda, fisiote-rapia preventiva e atividades extra-curriculares como curso de inglês e de computação. Ufa, aja fôlego! Será que alguém teria coragem de dizer que lutador tem vida mansa? Há que se admitir que é fundamental conviver com fortes emoções devido a conquistas, frustrações; dores e até mesmo uma dor de hérnia.
Ao começar sua vida profissional, o primeiro evento que Babalu lutou foi, em Campinas, com uma bolsa de três mil reais, em 1998. “Era uma boa quantia e eu nunca tinha ganhado tanto dinheiro assim. Mas eu não lutei apenas pela grana e sim porque eu queria lutar mesmo, eu gostava de socos e chutes. E acabei tirando de letra: depois da experiência do quartel, aquilo pra mim foi como a Disneylândia”.


Entre suas lutas mais difíceis, Babalu relembra a batalha que foi com o adversário russo, Fedor, já que foi a luta que ele mais se cansou pelo fato de o oponente ter socos muito potentes. “Todo mundo sabe que toda luta tem um drama: às vezes, o profissional está com dificuldades pessoais. O maior medo de todo lutador é se cansar, porque quando isso acontece, ele fica na mão do palhaço. Quando se está bem de gás, tudo fica fácil. Fedor ganhou por pontos. Se me dessem mais um round, eu seria nocauteado, porque já estava morto”.


Ao relembrar antigas histórias, ele contou uma que o marcou bastante: uma vez, ele estava aquecendo no vestiário, escorregou e ao apoiar- se no chão, quebrou a mão esquerda, justo a do jab. Na época, seu técnico era o Beto Leitão que disse: - se você não quiser lutar, tudo bem, mas eu acho que você ganha dele. Depois de ouvir tamanho incentivo, Babalu enfiou a mão em um balde de gelo e enfrentou a fera.
Em sua opinião, a luta, em si, não foi tão difícil. O problema maior foi a questão extra-ringue: a mão quebrada. No dia seguinte, ao pegar o avião, sua mão mais parecia uma bola de futebol de salão.


Quando chegou ao Rio, foi obrigado a usar gesso no período de dois meses. O mais incrível, deste caso, é que assim mesmo ele continuou a treinar seus potentes chutes e lutou, no Ringues, no Japão, nocauteando seu adversário. Foi sua estréia após o jejum de socos.
Em sua vida pessoal, atualmente, Babalu, aos 28 anos, é casado e tem uma filha linda, Maria Fernanda, de quatro meses, cujo nome está tatuado em seu peito. “Na verdade, minha mulher, Natasha, tem dois filhos: eu e a Maria Fernanda. Ela cuida de mim e me trata com muito cuidado. A paz reina na minha casa. Minha esposa fala: - a luta vem em primeiro lugar, depois vem eu e sua filha, porque lutar é a sua profissão e é através dela que você paga as contas”.


Enfim, nosso entrevistado faz um alerta: “É preciso tomar cuidado, hoje em dia, para não se exigir demais da garotada. Um adolescente de 14 anos, por exemplo, não pode treinar como um adulto. Ele não agüenta a carga; o esqueleto dele não é desenvolvido pra isso, nem mesmo a parte psicológica. No meu caso, a arte marcial tornou-se algo muito sério desde cedo. Por isso, dei uma parada e voltei, anos depois, com mais maturidade”.


 

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